domingo, 21 de abril de 2013

Diálogos imaginários.

Todas as pessoas do mundo, acredito eu, umas com mais frequência, outras com menos, costumam fantasiar diálogos:
- Então você me ama?
- Amo!
- Esse tempo todo você só queria saber se era recíproco, se eu ia lutar por você?
- Sim!
*se beija na chuva*
- Óh, eu te amo tanto!
- Eu também, você é a mulher da minha vida! Quantos filhos você quer ter?
- Três, a Tertúlia, a Afrodite e o Pelelon.
- Ué, serão filhos ou cachorros?
- Filhos, mas acho que eles vão gostar de ter nomes de cachorros, aí a gente dá nome de filho pros nossos cachorros.

etc etc etc

De qualquer maneira, em geral fazemos isso com nosso objeto de afeto romântico ou com pessoas que a gente sente muita falta.
Hoje eu me peguei fazendo diálogos com a ruiva.

A história da ruiva é a seguinte:

Um dia eu vi uma pessoa igual a mim respondendo o formspring.
Digo, muito auto-elogioso chamar de igual a mim, mas tudo que ela respondia me era familiar e agradável e eu pensei "eu preciso ser amiga dessa menina, como ela é adorável".
Nós nos adicionamos em redes sociais e nunca nos falávamos, exceto um eventual "vamos fazer um pic-nic?", porque era tão claro que nós deveríamos nos conhecer, era natural.

E um dia nos conhecemos, nada de pic-nic, só nos encontramos numa cafeteria em São Paulo e conversamos das 14h às 22h, só paramos porque eventualmente teríamos que voltar pra casa, caso contrário acho que ainda hoje estaria lá.

Pode parecer estranho até porque a gente não se conhecia, nem nunca tinha se falado, nada, nadinha, foi nosso primeiro contato, mas é como se a gente TIVESSE que ser amigas. Poxa, só sentar do lado dela e falar coisas da vida me deixava num estado radiante.
Quando a gente marcava de se encontrar eu ficava feliz desde o momento, mesmo que nos encontrássemos só dali uma semana, saber que a veria já me fazia sorrir e sorrir.


E nós fomos tão amigas e ela me apresentou amigos dela, a mãe dela, a gata dela, a casa dela, me emprestou roupa e sapato, me mostrou os LPs dela, eu dormi na casa dela, ela me apresentou uma das bandas que eu mais gosto até hoje, ela foi ver uma exibição de um curta que eu participei, a gente saiu juntas, eu estava lá quando ela voltou com o rapaz que ela amava, eu estava lá quando ela ficou triste depois, nós tomávamos café, nós tomamos bebidas, nós tomamos suco e água, "seu toque é Belle & Sebastian?", "Sim" e gostávamos de livros semelhantes "Eu estava lendo Idade da Razão e..", "Sartre, né? Eu tenho esse livro", e a gente amava a vida, a gente amava as coisas, mesmo que elas não andassem muito bem, e eu ainda tenho um cartão que eu deveria ter dado de aniversário pra ela e não dei.
Eu fui até metade do caminho mas não consegui chegar.
Eu juro que eu fui até metade do caminho.
Eu juro que foi o ônibus.
Eu juro!



Depois disso não deu.
Depois eu tinha uma prova.
Depois eu estava hospedando pessoas.
Depois justo esse final de semana eu vou viajar.
Depois eu - sem nenhum intenção ou saber que poderia - magoei ela.
E quando eu tentei pedir desculpas ela não quis me ouvir, então eu fui pior.
E agora eu perdi uma das amizades que mais me  foi cara.
Queria que as coisas voltassem a ser como eram.
E não sei o que fazer com tanta saudade.
E eu só queria saber
voltar no
tempo.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Nada demais.

É engraçado como tem dias que coisas já superadas parecemr reaparecer e deixam seu dia cabisbaixo.
Hoje eu sonhei com ele, estudávamos na mesma faculdade e eu mudava o lugar do meu intervalo pra poder ver ele passando e em dado momento ele me via, me abraçava e dizia "a gente tem que marcar de se ver, né?". A gente não tem, a gente não vai mais, provavelmente nunca mais, inclusive.
Não quero fazer disso grande coisa, não é grande coisa.
A gente se conheceu, ele me deixou extremamente radiante durante algum tempo, às vezes eu chorava (porque eu sou assim), depois ele mudou de ideia, eu fiquei brava porque eu não tinha mudado de ideia, ele nunca disse que mudou de ideia claramente, eu sempre ficava brava (e radiante e rindo à toa e me sentindo a pessoa mais feliz do mundo) porque ele nunca dizia nada claramente. Até que a gente deixou de se falar. Ele parou de me procurar, eu continuei procurando um pouco, ainda, ele estava sempre ocupado e ocupado e ocupado e eu me conformei. Não é grande coisa, aposto que você já passou por algo assim e eu provavelmente passarei de novo.
Não é grande coisa.
Mas tem dias que eu sonho com ele, ou que eu acho essa folha cheia de equações tão incompreensíveis pra mim que eu nem sei se são mesmo equações, ou eu lembro do exato momento em que eu vi a carinha dele pela primeira vez, ou de como ele segurou no meu rosto e me perguntou se eu estava feliz, ou da gente correndo na chuva, ou de quando ele disse que ia chegar esse dia como se houvesse um futuro na nossa frente, ou quando ele me beijou pela primeira vez, ou como eu sempre quase caía toda desajeitada quando ele tentava dançar valsa comigo, enfim, às vezes eu lembro de toda esperança, de como ele parecia tão certo me dizendo um monte de coisa que eu não entendia e que eu sentia que um dia eu ia entender porque ele ia explicar pra mim.
Agora o universo me continuará incompreensível.
Mas não é grande coisa.
É só um dia cabisbaixo, é só mais um dia. Amanhã eu vou estar bem.



terça-feira, 2 de abril de 2013

Nada.

Eis que me pego perfeitamente normal, fazendo minha faculdade, com bons e muitos amigos, uma rotina agradável, amando meus professores, amando meu curso, achando tudo perfeitamente normal, nenhum coração partido, nenhuma rejeição que eu me importe, nada demais acontecendo, nada acontecendo, nenhum sentimento, nada.
Nem bom, nem ruim, nada.
Eu sinto, de verdade, como se tivesse morta por dentro.
Eu amo meu irmão, amo meu cachorro, amo as coisas que estão acontecendo, mas não tenho nenhuma paixão, nenhuma que dure mais de dez minutos, nenhuma com nenhuma perspectiva feliz.
Eu me apaixono por um ótimo fotógrafo que eu não conhecia e em 10 minutos vira um amor morno, um nada no peito, eu não sinto nada, não consigo nem chorar minhas misérias - porque além delas não existirem  - eu não sinto nenhuma tristeza.
Eu acho que eu estou brava por isso, mas nem a raiva eu consigo sentir, eu não consigo sentir nada.
Esses dias eu estava dançando, tropecei e machuquei minha perna e doeu, achei meio legal.
Eu não consigo nem sentir revolta, não me entendam mal, eu me revolto, eu me revolto diariamente, mas apenas no meu cérebro, nada orgânico acontece, nenhuma reação química, nada nada, nada, eu entendo as coisas e ajo a partir daí, eu, justo eu que sentia tudo e tanto, me sinto morta, morta e sem perspectiva de ressurreição.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Felicidade.

Hoje eu acordei rouca, com o maxilar doendo e com o coração explodindo de alegria.
Eu valorizo de verdade e de verdade mesmo esses momentos com amigos.

Tenho passado muito tempo com muitos amigos que eu gosto muito e isso tem me feito duvidar de que a infelicidade seja sequer possível.
Dia desses eu estava falando com um desses muitos amigos sobre como eu acredito que a vida possa sim ser só alegre a partir do momento que você acredita que tudo está onde deveria, não que você não tenha que se esforçar pra fazer as coisas, mas aceitar que se eventualmente parecer que algo não deu certo é porque você vai ser mais feliz a partir disso.
Ele disse que discordava e achava muito otimista demais e simplista e eu concordo que seja realmente simplista e otimista demais, mas realmente acho que vocês deveriam tentar.

A vida não tem que ser complicada, você pode até ter que se esforçar muito, mas se você não se sentir simples, não sentir a vida simples e descomplicada e alegre, algo não está certo.
Achar que a vida tem que ser um drama infeliz e complicado e cheio de desprezo é uma escolha e das burras, ouso dizer. A graça é que os mais infelizes são os que mais se acham espertos, realmente irônico.

Saiu na Bravo esses dias uma reportagem sobre como grandes filósofos e escritores foram infelizes, existe um livro do Rubem Alves "Ostra feliz não faz pérola" e é muito deprimente que além das pessoas serem deprimidas elas queiram atribuir algum valor a isso.

Não é nada original propagar essa idéia que felicidade e inteligência não convivem bem.
Nada original e nada mais falho, os exemplos de sempre que ignoram um monte de filósofos, cientistas, escritores e grandes intelectuais de todas as áreas que apesar de verem que a vida não é ideal, tiveram a sabedoria pra aproveitar o que ela tem de belo.

As pessoas ultra inteligentes que foram infelizes só demonstram falta de sabedoria.
E alguns gênios foram sim depressivos, porém poucos, pouquíssimos depressivos serão gênio, em geral só são chatos e teimosos.
Você não é mais profundo nem mais sensível, você só não tem inteligência emocional.
Digo, é normal se sentir muito triste às vezes, mas glamorizar sofrimento, meus amigos, glamorizar sofrimento... É a pior escolha que você pode fazer.

Se você sente que nada é bom na sua vida, percebe que com certeza você está sendo injusto e que mesmo que comparativamente você tenha muitos mais problemas que alegrias, as alegrias ainda existem e você pode sim solucionar esses problemas. Ou pelo menos se afastar. Tentar, de qualquer maneira e não exaltá-los como se a tristeza te fosse a melhor parte, não é.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Como eu acho aquela cor de novo?

Eu estava me sentindo ilícita, me sentindo ilícita e ignorada e tentando entender que tipo de espírito cruel se faria interessado em algo que ele não liga.
Eu pensei em pagamentos e não é como se um Hobbit fosse irresistível.
É igual a todos os outros, igual a cada um deles e por que gostar desse que um dia é a fofura e no outro é nada?
Por que me importar quando eu realmente poderia estar com metade das pessoas que eu conheço e metade porque a outra ou é mocinha ou é parente.
Mocinha.

Eu fui procurar um batom que eu tenho, um batom vermelho que é o melhor do mundo e custou três reais ou menos.
Eu levei ele pra viajar comigo,
eu queria tanto estar viajando agora.
Eu queria tanto estar bem longe daqui, dessa dimensão, desse medo social, desse eu faço tanto e ainda assim é como se nada fosse porque o que manda são os reais e não os sonhados.
Nada que é sonho vale algo.
Mas eu acho que vale, eu acho que devia valer.


Eu quebrei um pote de vidro que eu tinha há muito tempo e cortei meu dedo, eu não sei se ainda tem vidro lá, eu não sei que cores eu termino a mandala, eu não sei, eu fiz uma promessa que eu só sei que consigo cumprir pelo descaso alheio e isso dói e eu comi um alfajor, um delicioso alfajor.
Eu devia comer menos e chorar menos e ter mais amigos.

As pessoas elas me tratam tão bem e eu eu trato elas muito bem também, às vezes elas até acham que eu estou apaixonada, mas eu só trato todas elas muito bem, tão bem quanto eu gostaria de ser tratada e sou.

Eu vi que essa pessoa está se rendendo as verrugas de outra e me deu uma decepção tão grande porque essa pessoa é tão melhor que isso e parece que não.

Eu queria que as coisas durassem mais, eu queria ter 13 anos de novo, não importa de tudo de horrível que passou, eu queria ser viva de novo.


De novo.



E de novo.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Saudade da Marina.

Eu lembro de ser muito feliz achando que era muito triste com ela.
A Marina sempre me fez rir tanto, a Marina foi sempre tão inteligente, tão exigente, tão aquela pessoa que eu queria sempre ter por perto.
Ainda quero ter por perto.
A Marina é diferente hoje em dia, eu também.
Mais felizes provavelmente, acho que boa parte porque a gente ouve muito menos música depressiva e conversa sobre as pessoas que a gente gosta.
Tem essa também, hoje em dia elas não só sabem que a gente exciste

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Violência.

Eu sou uma pessoa violenta quando com ódio, porque geralmente meu ódio vem da mágoa, que vem de alguma violência cometida contra mim.
Eu lembro que eu costumava a usar machados nas minhas violências, porque sou uma pessoa pequena e despreparada para lutas, então a violência que uso é imaginária, mas sempre muito violenta, machadadas em quem me machucava, não importando que eu amasse ou mal conhecesse o violentador.
Hoje eu sonhei com esse machado, mas outra pessoa que usava e matava minha avó e minha mãe, só que não matava, na realidade.
Tentava matar e sobreviviam e é mais ou menos isso que acontece com toda violência, eu mato tão violentamente na minha mente que acaba sempre estando ali, eu não esqueci o que você me fez, não esqueci o que me fizeram, a violência continua viva.
E estão sempre cometendo outras.
Tanto e tanto que minha vontade é abandonar por completo qualquer, qualquer e qualquer vínculo com quem quer que seja.
Eu sempre me pergunto como surgem os mendigos, que limite foi ultrapassado para que alguém largue tudo e prefira as ruas e eu realmente passei a entender, passei a entender e cogitar.
Uma vida com muito mais significado e sem violência psicológica.
Eu prefiro a física, eu até gosto.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Amor próprio.

Eu acredito no amor.
Acredito muito, mesmo e principalmente por conta disso aqui.
Mas acredito também que antes do amor pelo outro (qualquer outro: pai, mãe, irmão, namorado, amigo) há que existir o amor próprio e se esse não existir, ouso dizer que nenhum outro existirá.
Esse texto não é pra divagar sobre se é possível ou não amar sem auto-amor, só quis começar dessa maneira porque tenho a terrível tendência a dar poder as pessoas.
Como assim?
Sabe quando alguém que não te importa tenta te ofender e te xinga ou coisa assim? Geralmente o que você faz é pensar "que babaca" e segue com a sua vida, esquece rapidinho.
Mas sabe quando alguém que você ama muito vem e faz a mesma coisa? Bem, nesse caso geralmente a gente se magoa, se sente ofendido e mais ainda do que a pessoa previu ou desejou que acontecesse.
Isso é dar poder.
É natural que nós demos poder as pessoas que amamos, natural que nos importemos com outras opiniões e bem saudável, acontece que só até certo ponto.
Você não pode deixar as pessoas te desestabilizarem só porque te conhecem bem e podem até ter razão em um ponto ou outro.
Mais que isso, você não pode convencer que suas intenções são boas.
Você não pode impor amor.
Se a pessoa não quer ser amada, não quer ser cuidada, não quer ser querida, por maior que seja o seu amor, emane-o, mas não espere que ele volte daquela pessoa.
Bem querer é uma coisa complicada, relações humanas são complicadas.. Como quando você vai fazer uma brincadeira boba com alguém e ela começa a gritar com você e te xingar porque você é uma idiota e você só estava lá tentando fazer a tal pessoa sorrir.
Enfim, enfim...
Decidi me amar mais, muito mais, dar mais poder a mim, muito mais e saber ponderar, não me deixar ofender tanto, não chorar por mais ninguém, a não ser que eu queira, a não ser que o choro seja por mim.
Decidi nunca mais compartilhar meu choro com quem não merece, de verdade, desliga o telefone, vai pro banheiro, sai correndo daí, mas não deixa que te vejam de nariz vermelho.
Eu sempre fui e sou muito mais importante pra mim do que qualquer pessoa que possa passar pela minha vida, pelo simples fato de que só eu sou minha companheira e amiga eterna, pro resto da eternidade só eu mesma estarei comigo. E tenho muito orgulho dessa pessoa que eu sou, eu tenho muito amor por essa pessoa e sei que ela merece o melhor, por isso, pra ela, o melhor.
Nada de estar em e alimentar relacionamentos e situações que me façam sofrer, que me diminuam.
Comigo quem transbordar amor, porque é isso que eu faço, transbordo amor e não mereço nada menos.
Mas fico feliz de saber que mesmo com essas condições nunca estarei isolada de contato humano, sempre terei muito amor.
Estou com vontade de ligar pra alguém, pra conversar, desabafar... E consigo em menos de dois segundos pensar em pelo menos 7 nomes de pessoas que adorariam me atender mesmo a essa hora da noite e conversar, me ouvir, me dar carinho e me fazer sentir realmente especial.
Não são pessoas que eu chamo de amigos porque vão comigo no bar e falam de filmes ou qualquer outro pedantismo, é gente que se eu quiser ir no bar, vai comigo, se eu quiser só ficar em casa e ver filme, ficamos, é gente que eu fico dois meses sem falar com e a amizade é cada dia maior, tem mais amor.
Amigos de verdade... :)

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Pessoas platônicas.

Sabe quando você não conhece muito bem uma pessoa, mas cada coisa que descobre a respeito dela te parece mais genial que a anterior?
Pois é, existem várias dessas pela minha vida, mas hoje eu vim falar de uma em especial.
Há mais ou menos dois anos atrás, eu, passeando por esse belo youtube, topei com um canal, assisti esse canal e achei ele genial.
Depois de um ano, mais ou menos, por acaso da vida, uma das pessoas desse canal veio a ter um canal conjunto comigo.
E é bobo dizer e tudo mais, mas há sempre um quentinho no meu coração e aquela vontade de conhecer mais a respeito dele e ao mesmo tempo manter uma respeitosa distância porque ele parece incrível demais e eu não quero que ele desgoste de mim, sabe?
E essa respeitosa distância se mantem, ao mesmo tempo que eu quero que ela desapareça e que um dia, passeando pelo Trianon, conversando sobre coisas aleatórias eu possa dizer que acho ele uma pessoa muito especial e saber que ele se sente da mesma maneira a meu respeito.
Eu fui tomar banho e fiquei criando diálogos de quando nós formos tomar chá de morango e foi genial, mas tenho muita certeza que teria sido melhor se real. O que, novamente é conflitante porque e se ele me conhecer e não me achar especial?
Enfim, texto de 4ª série, eu sei. Mas eu queria registrar que mesmo com o paradoxo das minhas pessoas platônicas, eu só fique muito feliz que ele exista e que isso um dia possa ser uma amizade genial ou que sempre seja essa linda amizade platônica, que por existir, já me faz um pouco mais feliz.
Obrigada, amigo platônico, que a vida te faça amigo real.

terça-feira, 15 de maio de 2012

2 anos é muito tempo.

Vamos supor que existisse uma menina que depois de um relacionamento em que ela era mui ingênua e foi muito abusada, tenha ficado completamente traumatizada e a partir daí não quisesse mais passar pela possibilidade de ser abandonada tendo dado o melhor de si.
Mas vamos supor também que ela não soubesse que tinha ficado tão machucada e tivesse uma natureza muito carinhosa, então estava sempre inventando paixões e chorando porque eram sempre impossíveis, já que ela escolhia essas.
Supondo esse cenário, suponhamos também que em algum momento, sem que essa menina se desse conta tivesse surgido esse menino meio inalcançável, porque além de todas as circunstâncias que o tornavam desejável, morava muito muito longe. E jamais se interessaria por uma menina tão banal, como a tal se achava, tão indigna de amor e a pessoa perfeita pra se abandonar.
Agora vamos continuar supondo que de alguma maneira esse menino tivesse conseguido fazer ela enxergar muito mais nela mesma e tenha feito tudo por ela pelos últimos dois anos e então ela tivesse que escrever essa carta de agradecimento, não que fosse forçada, mas porque era grandioso demais que aquela menina não fosse mais só uma menina abandonável e percebesse nela mesma coisas tão maiores.
Devendo tudo isso a ele ela escreveu:

"Amor, há dois anos você decidiu que eu era a mulher pra você.
Eu fiquei tão assustada porque nem sabia que podia ser uma mulher que tentei fugir, chorava e tive tanto medo, que só com muita certeza do seu sentimento tu pode ter ultrapassado essas coisas.
Além da distância, minha insegurança, dinheiro e tudo quanto é obstáculo que a gente ultrapassou nesses tempos, fica muito claro o porque de tanto esforço.
É só com você, nenes, que eu consigo gargalhar mesmo morrendo de cólica.
E é com você que eu não tenho vergonha nenhuma de sentar, só de sunguinha do Batman e comer loucamente até quase explodir, sem me sentir uma gorda, feia, sem ter vergonha de nada.
Só com você tudo é absolutamente natural e só você sabe me fazer sentir.. digna de amor.
Ainda hoje, quando alguém me diz do quanto me acha especial e tudo mais, ainda hoje, por mais que eu consiga me achar realmente uma pessoa que tenta fazer sempre o seu melhor e por isso já deveria ser parabenizada, ainda que assim, me parece estranho que alguém além de você reconheça em mim qualidades.
Você mesmo quando de brigas, consegue me alegrar porque eu percebo que essas brigas não passam disso, de brigas. E não tem problema brigar, embora seja chato, tudo bem, porque eu sei que no final você vai estar lá do meu lado, porque conhece tudo de pior que existe em mim, tudo de pior potencializado, já fui tão péssima pra você que sempre acho bonito o quanto ainda naqueles dias tu tentava todo dia me mostrar que ser horrível era só um lado, que além de horrível eu podia ser ótima, eu podia e era maravilhosa pra você.
Agradeço toda impaciência eventual, porque a partir dela eu cresci tanto. E agradeço também toda a paciência, porque às vezes é mais importante se sentir segura, do que crescer.
Mas eu quero te agradecer, na verdade, por tudo e tudo, porque parece que você sabe exatamente o que eu preciso naquele momento.
Como quando você apenas DESCOBRE, sem explicação nenhuma, se tem ou não alguém perto de mim apenas pelo meu "alô".
Ou quando você entende que a minha "vozinha" significa algo e me faz falar sobre esse algo, pra que a gente possa fazer as pazes logo e só nos amarmos.
Obrigada por todo esse tempo ter sido mais que fiel, leal a mim. Não compreendo relacionamentos que existem apesar das pessoas serem desleais, não compreendo como conseguem viver sem cumplicidade, embora antes de você, já tenha passado por isso.
Antes de você parece que a vida estava me preparando, pra quando você chegasse eu ter certeza que você era pra sempre.
Que é você que é do meu número, que é com você que eu quero e tenho que ficar pro resto da vida.
Ter filhos, cachorros, pomares, ter abraços e pizzas, ter carinho e massagem, ter reikinho e pesadelo, ter dor nas costas de dormir agarrado demais no frio e passar calor no verão porque mesmo nele a gente gosta de aconchego.
Acho que tudo vem me preparando para que eu também tenha paciência com coisas que você quer melhorar e que eu possa te ajudar em tudo, mimar você e ao mesmo tempo te deixar livre pra ir, pra que te ver ficar seja ainda mais bonito.
Obrigada, pequeno, pelas mãos macias e por me dizer do quanto me acha linda logo que eu acordo, toda descabelada e com mau hálito.
Obrigada por ser exatamente quem você é, porque não consigo imaginar alguém que fosse mais do meu número.
E essa carta é um contrato, um contrato de amor pro resto das nossas vidas. Um contrato que pode ser apresentado em caso de manha.
Eu sei que vou te amar, por toda minha vida.
E.. Você quer casar comigo?
Dois anos é tempo de menos, pra todo o tempo que eu quero ter você.
Te amo demais, mesmo, pra sempre e de verdade, sem medo de ser citada por amargos, te amo e te amarei, por tudo que você é e tudo que nós somos juntos. Por todas dificuldades que passamos e que ainda passaremos, te amo por todo conforto e toda risada, por toda falta de atenção e super proteção.
Fica comigo pra sempre?
Eu te amo e não tenho mais medo.
Obrigada.
Sempre sua, Pequena Sra. Pequeno."

Vamos supor que essa tenha sido a carta.
E vamos supor que ela soubesse que não teria uma resposta, não teria resposta nenhuma.
E vamos continuar supondo que não fizesse diferença.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Back on track na vida.

Você sabe que voltou a ser a pessoa que gostava de ser quando recebe esse tipo de comentário no youtube:

"Esse jeito seu toda boazinha me incomoda, não existe gente boazinha assim... Nem me xingar vc xinga e olha q sempre faço um comentário criticando seus vídeos...Vira freira...Bem agora vc vai xingar né. Vai me chamar de FEIO....kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk­kkkkkkkkkk"

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Quando você não liga mais.

Existe uma regra de ouro na vida que nos conta que quando você deixar de querer tanto um negócio e só relaxar, provavelmente você vai conseguir.
Por diversas vezes isso já se mostrou certo, o que não deixa de ser menos chato.
Me digam uma coisa, algum de vocês conhecem algum método pra deixar de gostar seja do que for?
Porque por aqui o que acontece é: Quanto mais eu tento ser tranqüila, mais eu penso sobre, mais eu gosto.
Não estou falando de namoros e nem nada, na vida mesmo.
De copos d'água a faculdade que eu escolhi.
E não há nada que se possa fazer porque só o tempo acalma seja o que for e te ajuda a criar essa espécie de indiferença de "que o melhor me aconteça".
E enquanto o tempo não passa eu fico aqui tentando dar o meu melhor em não ser ansiosa, esperar passar e tentar pensar em outras coisa.
Porque outra coisa imbecil que eu também costumava fazer é me comparar "por que ela tem e eu não?" e, sério, tem algo mais andar pra trás e que normalmente não faz o menor sentido que comparação?
Sempre fui comparada na família, na escola, nos cursos e seja como for mesmo que estejam te comparando e te colocando como melhor que alguém é sempre uma estupidez muito grande, de verdade.
Cada pessoa, além de ter seu ritmo, é tão cheia de complexidades que ajudam a entender cada pequena coisa que reduzir a "você é melhor que ela", "você é pior que ela", é só uma idiotice muito grande e que sempre magoa as pessoas.
E é pior quando é você se comparando.
Pior ainda quando você acha que é melhor, mas "ela tem e eu não".
Pois é, não sei, mas a questão é que eu não quero fazer esses desejos não realizados virarem uma grande frustração. Eu quero só aceitar e deixar pra lá, porque se for pra dar certo, eu vou continuar fazendo de tudo pra que dê, mas se não for.. deixa pra lá, também, né? :)

terça-feira, 1 de maio de 2012

O Cachorro Provisório

Saiu um e-book gratuito de um escritor que eu admiro absurdamente esses dias.
"O Cachorro Provisório" é um livro de contos, ou, como prefere o autor, de: ficções e fragmentos.




Seja como for, espero que vocês leiam e me deem suas opiniões (aqui nos comentários mesmo) sobre um dos livros que eu li recentemente que mais gostei.
Da até um orgulho de saber que quem produziu isso tem 21 anos e consegue ter toda essa propriedade que possibilita o tipo de brincadeira de forma que acontece no "Corpo a Corpo sem Querer".
Ou a absurda sensibilidade e ao mesmo tempo a quantidade certa dela que nos permite emocionar, mas sem dramalhão no "O Amor é um Moinho de Vento".
E como ele consegue ser bem sucedido mesmo trazendo os dois últimos textos que são só fragmentos de uma coisa maior, que ainda não está completa.
Genial do fundo do coração.

O autor escreveu essa coluna onde ele explica outras coisas mais a respeito do livro.
Espero que gostem tanto quanto eu.

Beijos

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Me fale coisas que te deixem sorridente.

tem tantas coisas...
  • vamos pensar...
    atualmente: 
    1. quando de repente, no meio da aula me toco que estou estudando na melhor universidade da américa latina no curso de história. 
    2. quando a banda termina um show e alguém que entende de música vem elogiar. 
    3. quando estou com minha namorada sem fazer nada, só estou com ela e fim... tipo, sendo feliz.
    acho que são as três coisas que mais animam minha vida hoje, e por aí?
    quando o Biel vem e fala alguma coisa totalmente que mostra que ele se preocupa comigo, tipo hoje, além dele fazer tudo pra mim, todos TODOS os favores que eu peço (até quando eu digo, vem cá apanhar, ele vem, mesmo quando é por brabeza, não que eu de fato consiga bater nele ou em ninguém, mas tu entendeu) ele veio me trazer comida e todo fofinho "cuidado que está quente, quer que eu assopre?"
    ou quando eu estou nesse grupo específico de amigos, de colegas na verdade, pessoas que são amigas do meu melhor amigo e todo mundo lá me conhece e gosta muito de mim, me tratam muito bem
    quando eu medito e quando o sol está se pondo e eu presto atenção e quando o nosso olho fica assim vidrado em algo e seu cérebro percorre lugares que você não consegue acompanhar ou quando eu fico sem brigar com a minha mãe e quando eu faço planos com meu ex-namorado sobre nossos pugs e nossos filhos, os nomes deles e tal, quando está perto do dia dele chegar
    quando eu tenho um sonho muito real com uma pessoa que eu gosto muito 
    quando eu consigo desenhar um negócio ou escrever algo que eu me orgulho 
    quando reconhecem meus esforços 
    quando eu consigo fazer meus amigos rirem por muito tempo
    -  você fica feliz muito mais do que eu, te admiro!
    • se bem que a parte do meditar e do sol 
      adiciono fácil na lista!
      quando eu estou tomando chá
      e eu e o Biel rolamos na grama do jardim da vó
      sim, é, você só foi mais sucinto, tem tantos motivos quanto eu
      é que eu começo a falar de um e automaticamente meu cérebro lembra os outros...
      quando meu coração fica quentinho sem motivo
      quando eu sou muito simpática com estranhos e faço eles ficarem mais alegres por isso
      quando eu ajudo pessoas, principalmente cegos e falo pra eles as coisas que estão acontecendo (coisa que eu sempre fiz, nada a ver com amelie poulain)
      nossa, quando eu ajudo pessoas, isso muda meu dia completamente!
      • sim, né? me ajuda mais do que o que eu fiz pela pessoa, com certeza
        • quando eu ouço uma música nostálgica
        sim!
        • quando eu cedo meu lugar pra pessoas ou mais velhas ou que parecem mais cansadas que eu no ônibus ou metrô
        • quando eu vejo o Rafa e a gente vai no trianon e fica só olhando pro céu pelo espaço das folhas
        • quando eu converso sobre uma coisa muito séria com ele ou quando eu só ligo e a gente fica gargalhando de falar as coisas mais bestas do mundo
        • isso com meu ex-namorado também
          ele me liga todo dia e nós fazemos competição de constrangimento
          quem fala a coisa mais babaca e morremos de rir
          quando eu percebo que eu amo muito alguém e que mesmo que essa pessoa não me amasse - o que em geral não acontece - não teria problema porque o amor que eu sinto bastaria
          quando eu acho uma folha muito bonita no chão e ela está intacta
          quando me tocam músicas
          quando eu aprendo uma música
          quando eu colo coisas que eu fiz na parede
          quando eu vejo casais de velhinhos de mãos dadas
          quando eu acho tesourinhos de infância
          quando eu faço piadas pra mim mesma e fico rindo toda boba e depois ainda me congratulando do tipo "você deveria se chamar mestra do riso" e me acho imbecil e rio mais
        quando alguém diz, sinceramente, que me acha bonita
        quando eu não consigo parar de ler um livro
        quando alguém me vê falando sozinha e ao invés de brigar acha graça
        hahahaha, desculpa, eu super me empolguei, mas é uma coisa que eu queria te falar
        eu gosto tanto de ganhar lápis de cor e canetinhas e aquarela ou folhas
        quando eu falo com você até tarde e você fala que eu sou especial

        e obrigada por me dar um texto, primeira vez na semana ficaria sem postar pronto (:
        - eu não dei nada, o texto foi seu, eu só te alertei da beleza dele
        - ah, balões coloridos 
        (eu sempre vou adicionar coisas nessa lista) e caderninhos
        beleza nada, bobeira
        - agora eu preciso dormir
        - dorme bem

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Ônibus.

Hoje, num dia não usual, resolvi dormir até mais tarde ao invés de ir pra São Paulo logo cedo com a minha mãe.
Peguei o ônibus em que o ponto ficava mais longe, só que ia mais rápido, de novo, pouco usual.
Eu sempre escolho aqueles bancos mais altos no ônibus, porque na minha mente boba, é o trono do ônibus e sentar lá, obviamente me faz a rainha dele.
Pra minha sorte, tinha esse moço muito bonito sentado do meu lado. Ok.
Estava lá, na minha, anotando uns negócios pra fazer mais tarde, quando ele vira e fala:
- Desculpa perguntar, mas você é a Fernanda?
- Sou.
- Você estudou no Castro Alves, né?
- Sim!
Aí antes d'eu conseguir dizer que tinha reconhecido que ele era o Arthur, ele disse:
- Não sei se você vai lembrar, a gente estudou junto, eu sou o Arthur.
- SIM! Eu ia dizer seu nome agora, e aí, como você tá?
E ficamos o resto do caminho conversando.
Só que na hora de descer, eu com meu traquejo social nota dez, apenas sai andando sem dizer nada e ainda falando sozinha "parabéns, Fernanda, traquejo social nota dez, assim que se faz, que orgulho" quando eu vejo ele está emparelhado comigo e suprindo a minha falta de traquejo social, perguntou:
- Pra onde você tá indo?
No que a gente ficou conversando até o caminho do metrô.
Claro que ele é um moço precavido e estava com bilhete, eu não, mas por pouco, bem pouquinho eu não consegui alcançá-lo, uma pena, porque até hoje eu lembro com carinho do dia que nós dois tivemos que ficar na escola de tarde e ficamos brincando juntos, porque um só conhecia o outro.
Esse episódio sempre me vem a cabeça quando eu passo na frente do Castro Alves, o que é quase todo dia e sempre me deixa de coração quentinho.
E esse encontro, de verdade, valeu meu dia. 
Não que tenha sido a única coisa genial que me aconteceu, mas é essa que eu vou contar pra vocês por hoje :)

terça-feira, 24 de abril de 2012

Dia seguinte.

No dia seguinte do que pode ter sido a maior burrada da minha vida é engraçado como o mundo inteiro quis me mostrar que tinha sido sim uma burrada.
Estranhos sentados ao lado falando sobre como sentem falta da "única mulher que amei na vida, nunca conheci ninguém como ela", assim, casualmente, enquanto o shuffle do celular escolhia "Último Romance".
Eu nunca pego a linha de ônibus "x", porque tem essa pessoa que eu amo muito e que se preocupa com a minha integridade física que pede para eu pegar a "y", eu ando mais, mas por caminhos mais seguros.
Acontece que hoje ouve um problema com a linha "y" e eu tive que pegar a linha "x", acontece também que tinham muitos lugares vagos e eu escolhi aleatoriamente um.
Atrás de mim esse casal de amigos vinha conversando sobre trabalho e profissão, quando o cara perguntou
"e como vai fulano?" (sendo fulano o namorado da moça),
 "terminei",
"vish, e nem me conta nada?",
"foi ontem isso",
"por quê?",
"ele era muito ciumento, estava aturando isso há um ano e meio, não dava mais não, ele tentava podar meu jeito",
 "mas você já tinha tentado trocar ideia com ele?",
 "já, já, várias vezes, há um ano e meio que eu converso e falo 'você me trata como se eu fosse me arreganhar pra qualquer um, isso é desrespeitoso' e ele continua, não dava mais não",
"mas cê gosta dele?",
"eu amo ele, mas não aguentava mais, já chegava meu pai me controlando",
 "vish, é foda, eu já tive uma dessas também"
E eles continuaram a história por um tempão, sobre como essa mulher dele, de tanto ciúme entrou em depressão e no meio da conversa ele falou "mas eu não larguei ela não, a gente tem que ser compreensivo, eu falava 'vamos sair, fazer alguma coisa' e ela só cobria o rosto com o edredom e chorava, eu tentei por muito tempo, mas era eu tentando puxar ela pra cima e ela conseguindo me puxar pra baixo".
Deram também vários exemplos das situações mais absurdamente corriqueiras que viravam brigas pelo ciúme irracional das pessoas que eles namoraram.
E o mais incrível é que fazia tanto sentido que eu, que sempre achei que era uma ciumenta irracional e isso não tem como mudar, é a vida, love me or leave me, me entende que é sua única opção se quiser ficar por perto e todos esses egoísmos, percebi que pelo contrário, a opção é minha. Você não nasceu louco, não nasceu irracional, as pessoas amam você e podem amar outras sem que isso diminua o sentimento, respeito e consideração.
Eu sempre me revirei de ódio ao ver meus amigos dizerem coisas do tipo "ah, hoje não dá, vou sair com meus amigos", sentindo que eu não fazia parte dos amigos e não fazia mesmo, não fazia parte daquele grupo de amigos, ué e não há problema não fazer, as pessoas, o mundo, a vida é grande demais pra mesquinhar amor.
Não acredito em relacionamento a três ou essa modernidades, não trocaram minha alma também nem nada, mas por uma conversa de ônibus eu consegui entender coisas que durante cinco anos meu psicólogo me explicou e eu só não quis ouvir, talvez pela parcialidade, aquelas duas pessoas não estavam tentando me convencer de nada, estavam conversando e não estavam diminuindo também os ciumentos deles, só deixavam bem claro o quanto não há que se sentir assim, por nada nesse mundo, por ninguém e o quanto aquilo os machucava.
Ciúme só faz mal pra quem sente, eu costumava acreditar, mas não é bem assim, é o ciumento que quer morrer e sente veneno correndo nas veias, mas é o alvo do ciúme que tem que se sentir indigno de confiança e muitas vezes pedir desculpas ou lidar de alguma maneira com algo que só existe na cabeça do outro.

Esse texto tá parecendo muito com auto-ajuda, eu sei, mas hoje foi um dia totalmente auto-ajuda.
Por exemplo, marquei planos com a Kéfera às 18:30h da tarde, lá na Vila Olímpia que fica mais ou menos a umas duas horas da minha casa, me arrumei, me perfumei, saquei dinheiro e fui, toda alegre, sendo gentil com todo mundo e todo mundo retribuindo a gentileza, ganhei vários sorrisos e estava radiante, me sentindo uma pessoa boa de verdade.
Cheguei 18:15h e mandei uma mensagem.
Ela disse que se atrasaria. Passou mais uma hora mandei outra. Ela falou que o que a gente tinha planejado não ia mais acontecer, que iam jantar fora. Eu disse que ok, onde? Eu iria até lá. Ela falou que decidiria e me falaria. Infelizmente ela só conseguiu me dar a resposta às 21:30h, ficou enrolada com as coisas dela e eu realmente entendo, mas como me era de costume comecei a chorar, nem consegui terminar meu delicioso suco de Kiwi, fiquei me sentindo a pior pessoa do mundo, a partir daquilo automaticamente NINGUÉM me amava, aliás a Kéfera me odiava e devia ter feito de propósito e agora estava rindo de mim, porque esse tipo de coisa SEMPRE acontecia comigo e sempre aconteceria, eu era o pior dos seres humanos e se não me jogasse da ponte ia até um bar e me embebedar (porque eu detesto fazer isso e isso me magoaria, mas é isso que pessoas tão horríveis quanto eu merecem, ser magoadas). Essa foi minha reação. Como uma criança de 8 anos que a mãe não compra a bala.

Aliás um outro exemplo absurdamente recente (antes de ontem), minha mãe, que faz todas minhas vontades e compra tudo que eu quero, não quis comprar para mim um pergaminho com toda a família de Khrishna porque ela compra tudo que eu quero e não é uma máquina de dinheiro. Minha reação foi não só fazer bico, como ficar muda o resto do dia, com cara de choro, inclusive tanto foi assim, que essa mesma pessoa que me ama e se preocupa comigo me falou "fica tranquila, eu compro pra você".
Agora, de verdade, eu tenho vinte anos, vinte anos de idade e não é porque eu tive que ser madura na infância (rola toda uma história que eu não vou contar pra vocês, mas que é foda e me fez ter que suportar coisas que nenhuma criança deveria, enfim..) que hoje em dia eu tenho o direito de agir como se tivesse 8 anos. Não posso e não tem porque.

Eu sou uma adulta racional e bem inteligente, inclusive. Não saber lidar com frustrações, grande, médias, pequenas, é só patético e prova o contrário da afirmação anterior.
Mas, não, de verdade, depois de me ver fazendo esse drama ridículo porque "não deu hoje, desculpa, Ferdi, realmente queria te ver", eu só entendi o quão ridícula eu venho sendo há muito tempo.
Ridícula e manipuladora, porque criança birrenta acaba ganhando o que quer ou umas palmadas, mas como meus pais nunca foram de me dar palmadas...

Sim, esse é o lado mais podre que eu consigo identificar em mim e sei que não vou mudar do dia pra noite, mas pela primeira vez na vida eu consigo enxergar que não só isso prejudica os outros, como a mim mesma, afastando as pessoas que eu amo ou mesmo quando não, deixando-as magoadas ou obrigando-as a fazer algo que elas não queriam por pura chantagem emocional.
Sério, é tão baixo que eu me sinto envergonhada de verdade de identificar isso em mim e saber que terei impulsos pra fazer de novo, tentar controlar, fazer manha, não lidar com frustrações.

De verdade, Fernanda, está na hora de honrar seus vinte anos.
Não "indo trabalhar" como muita gente me fala (não que eu nunca vá trabalhar, mas acho muito engraçado galera que não paga minhas contas me falando isso, minha mama dizer OKIE DOKIE, mas... né? Enfim) que é o que uma pessoa de vinte anos deveria fazer, mas dando a mínima amadurecida que uma pessoa da sua idade já devia ter dado há uns cinco anos no mínimo.

Enfim, Fernanda, eu realmente espero que você aplique tudo isso que aprendeu nesse dia genial que foi hoje, mas não só hoje, que você lindamente chegou em casa feliz e contente mesmo com todos os percalços, sempre, sempre lembre que gentileza, maturidade e compreensão, além de segurança em você e nas pessoas que escolheu pra amar é o mínimo que você pode fazer.

Eu tenho certeza que, esperta como é, você vai conseguir, você sempre diz que a gente tem escolha e você tem. Não desanima se tiver uma recaída ou outra, faz parte do processo.
Mas eu amo muito você com todas essas imperfeições tão feias, porque você tem muitas perfeições mais bonitas e que estão sempre no seu coração e atitudes.
Então também não fique se sentindo mal, se sentir culpada não vai mudar o que já aconteceu, só seja melhor daqui pra frente.
Te amo de verdade, Ferdi, você é uma pessoa especial e nunca duvide disso (:
Beijos, estou aqui pra sempre, pra qualquer coisa, DE VERDADE, te amo de novo,
Fernanda

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Como se fosse o universo.

Pintei assim as unhas, de azul com estrelas, como se fosse o universo.
Pintei assim três estrelas, eu, ele e o pequeno.
Escolhi nome de filho e contei pro homenageado.
Amei mais do que jamais consegui demonstrar, amei mais do que já tinha amado, se é que tinha chegado perto disso.
Chorei também, chorei de imaturidade, de medo de perder, tenho sempre esse medo e esse medo é que faz surgir todos os problemas. Então eu não sei como lidar e choro, agravo o problema e agravei tanto que acabou, não tem mais problema, não tem mais homenagem, não tem mais medo.
Agravei tanto que acabou.
Há sempre essa playlist do horror: Dog Days Are Over, I Will Survive, I Wanto to Break Free, mas inevitavelmente acabo em Love of My Life.
O que dói é saber que eu dei meu melhor, mas meu melhor não é tão bom assim, não que na parte boa eu não seja a melhor do mundo, mas na parte ruim eu quase equiparo.
Meu melhor chora, morre de ciúme, meu melhor se desespera, meu melhor é ansioso, impaciente, meu melhor sofre, cobra e às vezes só quer sumir.
Eu não quero mais que meu melhor não seja suficiente e disse "não quero mais", não quero me sentir sempre na berlinda, sempre com medo de errar, com medo de fazer algo que desagrade, com mil paranoias loucas, achando que com um passo em falso posso colocar toda a felicidade da minha vida a perder, não, se é pra viver assim, melhor que ela vá.
E eu sei que foi pro melhor, sei que foi pro bem melhor, aliás, e sei também que eu vou ficar ótima, não só, vou ficar radiante e aproveitar minha vida com cobranças oriundas apenas de mim.
Vou poder esquecer celular, RG, carteira e até as calças. Vou poder visitar meus amigos do Rio, Curitiba, Porto Alegre, Campinas e onde for. Vou frequentar aquelas casas de danças que eu detesto, vou conhecer outras pessoas e ter mil amigos, vou ir pra um retiro budista por um mês, vou jejuar e me encher de comida, vou pintar minha cara e sair na rua assim. E usar decotes, saias, batom vermelho. Minha capa de vampiro, vou usar minha bengala e vou rir de piadas que faço pra mim mesma que de tão ruins, são as melhores do mundo.
Vou ir pra lugares perigosos sozinha, vou ficar de madrugada deitada vendo o amanhecer - sem Natão, mas com ele em pensamento - vou conhecer completos estranhos.
Não vou ser nada parecida comigo, pra só entender qual é meu lugar.
Se for onde eu achava que é, lindo, se não, ok, eu sei que vou ficar bem de qualquer maneira.
Eu vou ficar bem pro resto da minha existência, porque esse tempo é meu e todos vamos, todos temos o nosso é só olhar em volta e reparar, o mundo funciona exatamente como deveria, com toda corrupção e maldade, gente jogando lixo na rua e brigando por time de futebol, gente fazendo caridade e sendo taxado de falso moralista, o mundo tá certo com todo esse erro, porque ele tem um propósito muito maior do que se encher de dinheiro e achar que isso é felicidade. E no final das contas eles vão perceber.
Nós deveríamos todos, por obrigação, sairmos daqui melhor que entramos e é isso que eu estou fazendo, saindo melhor que entrei, pra quem sabe entrar de novo um dia, melhor do que saí, ou só seguir a vida, rumo a família de Shiva.

domingo, 22 de abril de 2012

Sobre Alzheimer, mas mais que isso, sobre o casal que me faz acreditar em amor.

Milton & Shirlei
Um português orelhudo, segundo ela.
A mulher mais bonita do mundo, segundo ele, "minha baixinha".
Meus avós, avós paternos.
Pra mim nunca existiu pessoa melhor no mundo que meu avô, nunca existirá, na verdade e nem que me amasse mais.
Minha vó sempre foi uma espanholinha braba com todo mundo, menos comigo.
Lembro de quando eu ficava na casa dela e toda tarde ela me levava pra passear no bairro e lembro também de dormir no quarto do meu pai, com a cama quebrada porque meus primos e eu pulamos tanto nela que quebrou e todo mundo achou graça.
Eu tinha um barzinho da Barbie que eles me deram e passava as madrugadas com uma luminária laranja achando a vida um máximo!
Ela só me dava banho quando começava a músiquinha do Castelo Rátimbum, mesmo que não fosse necessariamente a
nós duas esperávamos o ratinho ir pra toca, pra só depois eu ir pro banho, aliás nessa casa (eles já tiveram muitas, muitas mesmo), tinham dois box, e um buraco de um box pro outro, igual o que o Jerry morava e lembro que ela pegava uma bacia de alumínio e me dava potes de shampoo pra brincar, sempre do meu lado e só me tirava quando eu estava toda enrugada, com a água fria e finalmente dizia que queria sair, com toda paciência do mundo.
Lembro também de quando nós estávamos na Chácara que meu vô tinha e ele ia nos levar na sorveteria, daí eu e o Rafa, m
eu primo, sempre queríamos ir no carro deles.
Aí nós entravamos pelo buraco do apoiador de braço no porta-malas e ficávamos lá, todos malandrinhos, todos rindinho, achando que estávamos deixando eles mortos de preocupação enquanto eles fingiam que não sabiam e "se desesperavam".
A sorveteria que eles nos levavam se chamava Jóia e ficava na frente de uma praça, o que era realmente jóia.
E olha como eu era a mimadinha dos vovós?
Os dois sempre me trataram como o bebê deles e ainda hoje me tratam.
Meu avô e minha avó sempre foram um casal que se amou, obviamente.
Eu tenho certeza mais que absoluta, pode cair um meteoro na minha cara agora, podem arrancar meu coração e me fazer comê-lo depois se um dia meu vô ou minha vó foram infiéis ou desleais um com o outro. Sério, que eu morra AGORA!
Sempre se cuidaram, sembre brincaram, sempre andaram de mãos dadas e todo mundo comentava em qualquer evento social, sobre como era lindo e fofinho ver os dois e como eles dançavam juntos, como se tivessem dançando a valsa do casamento, risonhos, gargalhando, todos com passinhos e todos brincalhões.
Esse dois, muito mais que a Disney ou que qualquer artificialidade dessas, me fizeram sempre acreditar que existe sim um amor da vida, uma alma gêmea ou seja como você queira chamar.
Você pode até ter um companheiro, ser feliz com ele e amá-lo, mas amor da vida só existe um, a diferença é que com o companheiro você tem sempre a opção de ir embora, com o amor da vida não, apenas porque não faria sentido abandonar um amor assim. E foi o que a existência do relacionamento deles que me fez e ainda me faz acreditar.
É difícil achar esse amor da vida, mas ele tiveram a INCRÍVEL felicidade - porque são pessoas que merecem também, né - de encontrar e viveram a vida mais feliz e apaixonada do mundo todo, bom, viveram não, ele ainda vive.
Não que minha vó tenha morrido, até porque se ela tivesse eu não estaria aqui escrevendo esse texto e sim morta também, né.
O que aconteceu, na verdade, é que há mais ou menos um cinco anos minha vó, minha espanholhinha linda, bravinha, dos olhos mais lindos e com a capacidade que só ela tinha de me fazer sentir especial e me mimar e amar tanto a vida toda, começou a desenvolver Alzheimer.
Lembro que logo que começou, eu passava a tarde com ela e com o Bielzinho que era bem bebêzinho na ocasião. No começo era a coisa mais triste do universo, ela inventava realidades paralelas onde achava que meu avô estava sendo desleal e outras coisas que faziam ela sofrer de verdade.
Eu conversava com ela todo dia, imprimia pesquisas, explicava o que estava acontecendo e ela ficava desesperada "EU NÃO ESTOU FICANDO LOUCA".
Mas isso era quando ela tinha ainda alguma consciência.
O tempo foi passando, meu avô levando ela em todos os médicos do universo, dando todos os remédios e fazendo todo o possível, mas a doença foi se agravando, porque infelizmente é assim que ela funciona, o tratamento só retarda um pouco mais os sintomas inevitáveis, ok. Chega da parte triste.
"Como assim, Ferdi, a história do Alzheimer da sua avó tem uma parte feliz?"
Tem, não só feliz como a coisa mais bonita do mundo.
Bem, hoje em dia a vó não responde sempre, aliás, quase nunca, precisa usar fralda e ser cuidada 24 horas por dia.
No estágio que ela está muita gente teria colocado ela numa dessas clínicas de "cuidados especiais", (especiais, aham), afinal de contas "ela nem ia saber". Só a possibilidade de um negócio desses ofende meu avô.
O que ele fez quando as coisas foram complicando?
Meu avô é chaveiro (que é uma das profissões que eu acho mais legais no universo, aliás) e ele tem esse chaveiro no mesmo lugar há uns 40 anos, então ele comrprou a casa de trás, fez uma interligação e contratou uma pessoa pra cuidar dela, mas de modos que ele possa de hora em hora ir ver como ela está e dar carinho e atenção.
E vocês acham que por um segundo ele lamenta ou parece triste? Meu avô é a pessoa mais alegre que eu conheço, essa foto da boneca, ali de cima, foi tirada hoje na hora do almoço, ele todo bobo fazendo graça pra ela. Aliás aquela boneca, pra minha vó é na verdade um menino, o bebê dela que ela cuida, ela leva pra lá e pra cá e meu vô entra na onda, brinca com o bebê também, chama de menino e tudo isso.
Ele está sempre rindo e contando as coisas tragicamente engraçadas que ela faz e fala.
Ele dá banho, troca as fraldas, dá comida na boca e ainda assim consegue se sentir apaixonado, não é só respeito e consideração. É amor mesmo. E como eu sei disso?
É só olhar pra cara dele:

sábado, 21 de abril de 2012

Mal aventurados os homens de amor.

Que insistem e acham beleza,
que enfrentrem treze cavalos,
que aprisionam e são aprisionados,
mal aventurados os que tem coração,
bondosos e caridosos,
tentam ajudar quem não tem conserto;



mal aventurados os homens de bem,
que de bem que tem não recebem vintém,
mal aventurados quem faz por onde ajudar,
mal aventurados, hão de por tudo isso pagar.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Paciência.

De todas as virtudes é a que eu mais sou obrigada a exercer e a que eu mais detesto ter que.
Paciência de saudade.
Paciência pra esperar o dia dele voltar.
Paciência pra desenhar direito.
Paciência com o violino.
Com edição de vídeos.
Com gritos.
Com gente mais lenta.
Com falta de capacidade de interpretação.
Com comida ficando pronta.
Até miojo eu queria que cozinhasse mais rápido, na real.
E ainda assim tenho que ter uma paciência absurda todos os dias.

E nesse mesmo momento poderia citar três coisas que estão testando minha paciência e ansiedade; Cito uma: Renderização do vídeo novo. Ok, ok, vai fazer outras coisas e eu vou, mas a pendência, a sensação de algo a se resolver vai lentamente me corroendo.

E quando você quer conversar, só, nada demais e não encontra uma pessoal agradável disponível? Recorrente. Embora nunca aconteça.

Eu vou me desenhar fazendo geléia com dois guris puxando meu vestido e esse moço colhendo mais morango. Days are getting shorter, mas podia ser para o bem.

Hoje, feliz, eu fui falar sobre como falta um ano e meio, ele respondeu gritando que nunca tinha dito isso. Que vai demorar dois, três anos. E é engraçado como todos os planos vão ficando borrados, não por falta de amor, mas por saber que a vida em dois, três anos fará coisas aqui e coisas ali e eu não quero que os planos virem sonhos. Eu guardo dinheiro contando com isso, eu gasto dinheiro contando com isso, eu faço de tudo e ele também, mas o tempo é um negócio tão imprevisível e por vezes -e espero que não dessa - tão traiçoeiro.

Vou fazer mesmo o que bem quiser, porque é como se só eu me preservasse e isso é injusto, aconteça o que acontecer eu sempre dei meu melhor e sempre darei, mas acho que está na hora de parar de me preocupar, eu mesmo estou sempre dizendo que tudo acontece pro bem, mesmo que doa. Então se tiver que ir, irá, espero que fique.

Porque, na verdade, se recuperar desse tipo de coisa não é mais pra mim não, casamento, vida em conjunto, tudo compartilhado, me recuperar desse tipo de coisa seria comprar gatos, seria comprar - mais - livros, seria só lamentar minha sorte (aos setenta anos, nas redes sociais dizendo da minha solidão e de como eu me sinto menos miserável quando me entupo de comida ou me alcoolizo, sempre com todos os resultados negativos das duas atitudes). Me recuperar disso seria fugir de mim, talvez me mudar pras montanhas e jejuar até a morte em meditação. Me recuperar disso é um negócio que talvez fosse muito fácil, como chorar uma semana e depois passear com amigos e descobrir outras alegrias.

Quero me recuperar da eterna sina de ter que ser paciente.

Paródia de Matrix.

Fiz um novo canal, agora de paródias. A primeira:
Espero que gostem e acompanhem esse também. :)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Don't say you miss me.

É bom ser boa de novo. Eu disse que queria ser como eu era e ele disse que não, retrocesso é só pouco sadio, seja melhor que agora, parecida com antes, mas melhor que na época também. Me falou de relações karmicas.
Aí eu lembrei de um monte de situações de rejeição que só foram respeito.
Então hoje eu ganhei a camiseta e a tarde mais legal do mundo, com foto risonha e fotógrafo espirituoso.
Tava andando, tentando agradar e nunca dá certo quando eu tento, só agrado se for de maneira natural. De cabelo e unha azul, de blusa e tênis azul, de calça e bolsa azul. Porque eu tenho sangue azul, vou admitir isso.

Acho que a coisa que eu mais gosto no mundo é de fazer as pessoas rirem. Daí eu estava andando e olhando na vitrine, pra ver se me via, mas sempre acham que estou olhando algo lá dentro.

terça-feira, 17 de abril de 2012

days are getting shorter.

Eu tento atribuir tudo a qualquer coisa. Eu fico criando teorias que não interessam, explicar isso ou aquilo não vai me fazer sentir melhor, geralmente só cria uma mágoa inexistente, na real.
Eu estou bem feliz hoje, estou me sentindo radiante, amada, como se eu pudesse confiar em todo mundo. Como se o mundo fosse meu amigo, eu pudesse contar dos meus sentimentos, eu pudesse ser entendida nas minhas piadas, como se houvessem pessoas que reconhecessem meus esforços, como se as pessoas pudessem dar valor pro tipo de trabalho que eu desempenho, como se as pessoas se importassem comigo e nunca fossem quebrar promessas, hoje eu estou me sentindo rodando de madrugada, madrugada fria num lugar que eu gosto tanto com pessoas que eu gosto tanto, estou me sentindo como se o Natão nunca tivesse ido embora, como se ele morasse comigo, como se aquele Belo abraço ainda estivesse aqui, como se todas as possibilidades do universo pudessem ser alcançadas e como se. Como se.
Eu faço jejuns, às vezes fico seis, sete dias sem comer. Minha mãe briga dizendo "assim você não emagrece", ela não consegue compreender
que as vezes eu preciso de todo meu cérebro concentrado, todo meu cérebro disponível.
Ok, ninguém mais me procura. Ninguém mais me venera. Ela ligou e falou durante mais de uma hora sobre não largar a pior situação do mundo por possessão. Eu entendo ela, de verdade. Ela estava me falando também sobre como as pessoas me veneram. Como elas acham que eu sou tão especial que elas nunca me abandonam.
Eu ri muito triste, com nó na garganta, na verdade e disse que "já foi o tempo". Já foi o tempo.
Mas então eu descobri que por abandona que esteja, sou menos abandonada do que imaginaria.
Algumas pessoas ainda lembram.
As pessoas choram muito?
Com que frequência uma pessoa normal chora?
As pessoas às vezes choram sem motivo?
Engolir o choro é melhor?
E bater na mesma tecla uma e duas e três e vinte
porque talvez bater na tecla te faça sentir menos, menos, menos, menos, menos, te faça a princípio só sentir menos, de verdade.
Depois te faça se sentir menos um fardo. Fardo em qualquer vida, como se houvessem tais vidas.
O que você me diz?